Walter Pereira de Castro, médico e policial-militar, filho de Olhyntho Pereira de Castro e Carminda de Castro, nasceu em Santa Rita do Araguaia, Mato Grosso (atualmente Alto Araguaia, na divisa com Goiás), no dia 13 de janeiro de 1921. Nessa localidade residiam, à época, seus pais. É casado com Maria Ferreira de Castro, irmã de Juventino Ferreira de Castro, também ex-vereador e ex-presidente da Câmara. Ainda criança, Walter mudou-se para Rio Verde, terra natal de seus genitores.
Olhyntho, seu pai, era filho de Flausino de Castro e Custódia, que vieram de Minas Gerais. Flausino, por sua vez, era filho de Antônio Borges de Castro e Ana Maria de Jesus, sendo que esta era irmã de José Pereira Guimarães. José Pereira Guimarães era esposo de Maria Joaquina do Nascimento, irmã de Antônio Borges de Castro. Desse enlace nasceu Custódia. Antônio e Maria Joaquina, José e Ana Maria eram filhos de dois casais de portugueses que emigraram para o Brasil e se estabeleceram na região da Mantiqueira.
Manoel de Castro, irmão de Flausino, foi um dos fundadores do povoado “Água Fria”, então território de Jataí, emancipado na década de 1950 e atualmente município de Caçu. Foi em uma fazenda nessa região que nasceu Olhyntho, no dia 1º de setembro de 1899, enquanto sua mãe estava a passeio na propriedade do tio Manoel. A família, no entanto, residia em Rio Verde. Teotônio, outro irmão de Flausino, era carpinteiro e foi o primeiro fabricante profissional de caixões fúnebres em Rio Verde, onde faleceu em 1938.
Olhyntho destacou-se como guarda-livros, empresário e líder espírita, além de ter um papel significativo na maçonaria. Ele foi um dos 12 fundadores da loja “Estrela Rioverdense” e liderou a criação da loja “Verdadeira Luz”, ambas em Rio Verde. Foi o primeiro venerável de ambas as lojas.
Walter formou-se em medicina pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro, sendo o primeiro rio-verdense a diplomar-se nessa área. Fez o primário em Rio Verde, iniciou o ginasial em Goiás, antiga capital, e concluiu em São Paulo, após estudar as séries intermediárias em Uberlândia. No Rio de Janeiro, onde cursou o pré-universitário, estagiou-se no Pronto-Socorro Carlos Chagas, na Maternidade Escola Universitária do Brasil, na Maternidade São João Batista e na Policlínica Botafogo. Participou de cursos como o de Citologia Oneoica e Hormonal, organizado pela Sociedade Goiana de Ginecologia e Obstetrícia, e do Curso de Monitoragem Obstetrícia.
Entre suas atividades médicas, Walter foi diretor do Hospital Santa Terezinha, em Rio Verde, do qual foi um dos fundadores, além de professor de Anatomia Descritiva na Escola de Enfermagem Cruzeiro do Sul. No Hospital Geral de Goiânia-INAMPS, desempenhou a chefia da unidade de pacientes externos e dirigiu a Divisão Médico-Assistencial. Também esteve à frente do Hospital Santa Maria, em Goiânia. Subchefe do Serviço de Saúde da Polícia Militar do Estado de Goiás e chefe do PAM no INAMPS, Walter foi uma figura de destaque na medicina goiana.
Participou de diversos eventos científicos, como o 1º Ciclo de Palestras Médicas do Médio Norte de Goiás, a 1ª Jornada de Obstetrícia e Ginecologia do Brasil Central, o VII Ciclo de Palestras de Ginecologia e Obstetrícia em Brasília, a 1ª Convenção Hospitalar em Goiânia e o 1º Simpósio Médico Brasil-Japão, em Tóquio.
Walter foi convocado como 2º Tenente da 4ª RI de Quitaúna, São Paulo, e transferido para o Depósito da Força Expedicional Brasileira (FEB), no Rio de Janeiro. Ingressou no quadro de médicos da Polícia Militar pelo Segundo Batalhão de Rio Verde e foi aprovado em concurso para 1º tenente. Além de subchefe do serviço de saúde da corporação, presidiu o Clube de Oficiais e a Caixa Beneficente da Polícia Militar.
Na esfera associativa, Walter foi vice-presidente e presidente do Serviço Médico em Goiás pela Associação Médica do Estado. Foi membro da Comissão de Seleção para médicos da Polícia Militar goiana e aluno da Escola Superior de Guerra. A exemplo de seu pai e irmãos, ingressou na maçonaria, integrando as lojas “Liberdade e União”, de Goiânia, e o Supremo Kadosch nº 6, também em Goiânia.
Por Filadelfo Borges de Lima