É lembrado, na história municipal, por seu apelido de infância, “Nêgo Portilho,” oriundo, muito provavelmente, em razão de ter sido ele o mais moreno entre seus irmãos. Conhecido também por “Tio Nêgo” ou “Ti’Nêgo”, foi o segundo vereador eleito a exercer o cargo de presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, em sucessão ao farmacêutico e agropecuarista, Felipe Santa Cruz.
Natural de Rio Bonito, hoje Caiapônia, cidade esta que foi, ao seu tempo, líder na política e no comércio no sudoeste goiano, foi filho primogênito do Coronel Isaac Portilho, personalidade destacada na história daquele município. Seu nome aparece registrado em livros como Cel. Izác Portilho e, em outra citação, com a corruptela: “Izá Portilho.” Este era de ascendência árabe, porém, quase certamente de família oriunda da região de Salamanca, Espanha.
Isaac, mineiro natural de Bagagem, hoje Estrela do Sul, município que se situa em área que pertenceu, por algum tempo, à Província de Goiás, foi comerciante e se transferiu para o Estado de Goiás, onde marcou presença no mesmo ramo, além de atuar na pecuária e na política de Rio Bonito. Lá foi escolhido como o segundo intendente municipal, cargo que, até a Revolução de 1930, se equiparava ao de prefeito. Sua loja se situava em um local popularmente denominado “Beco do Coronel Isaac”, conforme citado no livro “O Quadro dos Dezoito.” Nessa obra, também aparecem os nomes de seu filho Saddy e de sua tia, Olympia Costa Gomes. Pecuarista, possuía grande fazenda, a Itaipava, que fazia divisa com a propriedade de Demolício de Carvalho, outro cidadão caiaponiense transferido para Rio Verde no início do século passado.
O título de Coronel lhe foi outorgado, como a tantos outros cidadãos no passado, através da compra ao governo de patente da Guarda Nacional, o que assegurava ao seu detentor imunidades, prestígio e regalias, tanto no campo social quanto nas áreas políticas e jurídicas.
“Nêgo Portilho,” seu filho mais velho, é lembrado principalmente por ter sido o segundo presidente da Câmara Municipal de Rio Verde. Ele nasceu da segunda união matrimonial entre o Cel. Isaac e Cecília (Didi) Alves Martins. Foram seus irmãos: Saddy, que muito jovem se uniu à família Ulhôa, gerando três filhos: Duarte, médico que atuou por décadas no Hospital Santa Catarina, em Uberlândia; Cecília, residente na mesma cidade; e Mauro, mais conhecido como “Quito,” popular em Rio Verde, onde foi titular de cartório. Mauro foi recebido, por adoção, por seus tios Moisés e Olympia Costa Gomes. Este tio foi destacado deputado constituinte após a Revolução de 1930, além de interventor do município de Jataí e titular de cartórios em Goiânia. Olympia foi citada por Alfredo Nasser como sendo de “coragem e fidelidade a toda prova.”
Além de Saddy e Epaminondas, também foram filhos desta segunda união do Cel. Isaac: Lourdes, uma senhora que se destacou por sua elegância na sociedade rio-verdense. Ela foi casada com o odontólogo Heráclito Fernandes Lima, com quem teve um único filho, Sadí Lima Portilho. Outro filho, Isaac, conhecido pelo apelido “Filhinho” (ou “Filhím”), foi prático em farmácia e casou-se com Maria Rita Moraes, com quem teve os filhos Isamar, Isaac, Cecília Maria e Else.
Muito cedo, com cerca de 12 anos, Epaminondas tornou-se órfão de pai, e a família se mudou para Rio Verde. A partir de então, “Nêgo Portilho” assumiu, em parte, a responsabilidade sobre seus irmãos menores, com o indispensável apoio de suas tias: Alzira Martins, Olympia e “Maria do João Alexandre.” Seu irmão Saddy faleceu aos 36 anos de idade. O patrimônio legado por seu pai, ao que consta, teria ficado em mãos dos filhos da primeira união do Cel. Isaac ou de posseiros.
Para sustentar a si e aos seus irmãos, “Nêgo Portilho” precisou aprender uma profissão. Ele optou pela ferraria, uma das profissões mais nobres e valorizadas da época. Inteligente, curioso e autodidata, aprendeu rapidamente a mexer nos primeiros automóveis que chegavam à região, o que lhe abriu portas na recém-fundada Cia. Auto-Viação Sul Goiana. Lá trabalhou como mecânico, motorista e auxiliar administrativo.
De mecânico, passou a chofer, dirigindo um Ford Double Phaeton, 1929. Nessas viagens solitárias, ocupava-se também de inspecionar visualmente e, quando possível, reparar o estado dos fios e postes da linha do telégrafo. A experiência como chofer foi adquirida ainda criança, ao “guiar” o “Fordinho” de seu pai em viagens para buscar mercadorias em Uberaba.
Dedicado, sociável e responsável, destacou-se como líder na empresa. No entanto, devido à inviabilidade financeira do projeto, a sociedade civil foi encampada pelo Estado. Epaminondas, incentivado por sua esposa, Else, propôs ao interventor Pedro Ludovico Teixeira a compra da massa falida da empresa. A transação se concretizou, e “Nêgo Portilho” tornou-se o primeiro empresário pioneiro na exploração de linhas de ônibus no sudoeste goiano.
Ao longo de sua vida, Epaminondas atuou também como exibidor de filmes no “Cine Progresso,” trouxe o primeiro projetor de “filme falado” para Rio Verde e colaborou como voluntário em operações de raios-X. Ele se casou com Else Emrich, com quem teve sete filhos, além de outros em segunda união.
Epaminondas destacou-se ainda como um dos pioneiros da aviação civil em Rio Verde e participou da fundação de diversas organizações e iniciativas locais. Foi maçom, membro de partidos políticos e figura importante na história municipal. Ao longo de sua vida, legou exemplos de pioneirismo, trabalho, amizade, responsabilidade e honestidade.
Por Filadelfo Borges de Lima