Filho de Rufino João de Sousa e Rosa Maria de Jesus, nasceu em Rio Verde – Goiás, em 30 de agosto de 1895. Caçula de sete irmãos, todos músicos, João Rosa foi educado pelo seu padrinho, Pedro Ignes Machado, que, além de proporcionar-lhe os estudos regulamentares, foi seu mestre em música, ensinando-o a ler partituras e a tocar vários instrumentos, com destaque para o bombardino. Com esse instrumento, ele tocava na banda regida por Lindolfo França e também em solo, acompanhando o padre Mariano quando este entoava o Te Deum nas missas solenes da Matriz de São Sebastião. Após a morte de seu padrinho, transferiu-se para Cuiabá, Mato Grosso, onde complementou seus estudos.
Embora não tenha cursado uma universidade, João Rosa tornou-se um profundo conhecedor de latim, língua portuguesa, matemática, Constituição e das leis civis e penais brasileiras, além de possuir um vasto conhecimento geral. Retornou a Rio Verde, onde, após abandonar definitivamente a carreira musical, casou-se com Joana Rosa dos Santos Lima, que tinha apenas 14 anos. Juntos, tiveram nove filhos, dois dos quais faleceram ainda na infância: Antônio Carlos, com 1 ano e cinco meses, e Leônidas, com 8 meses.
Nessa época, João Rosa exercia a atividade de professor rural e contador de grandes fazendeiros da região. Estabeleceu residência na cidade, à Rua Coronel Viana nº 12, e começou a trabalhar na loja "A Sertaneja", do Sr. Jerônimo Martins, atuando como vendedor, controlador de livros-caixa e comprador de mercadorias. Para isso, viajava frequentemente às cidades de Uberlândia e Uberaba (MG) e Barretos e Ribeirão Preto (SP). Paralelamente, manteve as atividades de contador de várias empresas e intermediador (corretor) de grandes negócios, como compras de fazendas e partilhas de bens.
João Rosa iniciou sua vida pública como guarda-livros da Prefeitura de Rio Verde. Em 3 de outubro de 1936, foi nomeado para o cargo de Contador e Distribuidor interino da Comarca de Rio Verde, por ato do Juízo de Direito da Comarca, assinado pelo Juiz Doutor José Campos. Posteriormente efetivado, exerceu a função por longo tempo, como atestam documentos datados de 1953 da Diretoria Geral da Fazenda do Estado de Goiás. Em 1955, tornou-se Inspetor Geral da Prudência Capitalização para o Estado de Goiás e Centro-Oeste.
Foi também nomeado para o cargo de Juiz Substituto da Comarca de Rio Verde, atuando ao lado do Juiz titular, Doutor Paranaíba Pirapitinga Santana. Líder político de destaque, João Rosa conquistou amigos em todas as esferas e a confiança de diferentes setores, desde moradores simples até autoridades políticas, militares, civis e eclesiásticas. Filiado ao PSD durante toda a sua vida, foi eleito e reeleito vereador, tendo a honra de presidir a Câmara Municipal de Rio Verde.
Em 1958, três de seus filhos já estudavam em Goiânia, o que motivou a transferência da família para a capital. Contudo, João Rosa continuou em Rio Verde exercendo suas atividades até se aposentar como comerciário em meados de 1959, quando finalmente se juntou à família em Goiânia. Na capital, foi contratado pela OSEGO e trabalhou na coordenação de compras e distribuição de suprimentos para os hospitais estaduais.
Quando faleceu, em 24 de agosto de 1960, aos 65 anos, João Rosa deixou viúva e sete filhos, quatro dos quais ainda menores na época: Jerônima (administradora de RH – DERGO, falecida em 1984), Hermann (odontólogo – INCRA, falecido em 2003), Anésia (assistente social e agente fiscal da SEFAZ), Ernane (economista – DERGO), João Rosa (comerciário), Armênia (odontóloga – Ministério da Saúde) e José de Alencar (odontólogo – INCRA).
De sua descendência, hoje contam-se 14 netos e 6 bisnetos. Entre seus pertences, destacavam-se um exemplar de Os Sertões, de Euclides da Cunha, uma coleção de moedas estrangeiras, a inseparável caneta Parker 51, o relógio de bolso Ômega, a caixa de rapé, uma caderneta com nomes, filiações e datas de nascimento de 200 afilhados, e uma flâmula comemorativa da cidade que ele sempre amou: Rio Verde.
Por Filadelfo Borges de Lima